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Músico atacado com ovos enquanto tocava em Santos ganha bolsa de estudos

O músico Luiz Felipe Salinas Almeida, 20, atacado com ovos na semana passada enquanto se apresentava em uma rua em Santos, no litoral paulista, ganhou uma bolsa de estudos para cursar música em uma universidade privada.

Acostumado a tocar violoncelo em ruas de diferentes estados do país, atividade da qual depende para se sustentar, Luiz foi surpreendido na última semana quando ouviu um forte barulho no instrumento.

Quando olhou o violoncelo, percebeu que estava sujo com ovos. Ele não viu quem o atacou, mas acredita que o ovo tenha sido jogado de um prédio.

“Ficou todo mundo revoltado. Quem passava, parava, ficava indignado, e eu tentando disfarçar. Me senti constrangido, mas também não senti que merecia que eu chorasse ou xingasse, só continuei tocando”, diz Luiz à Folha de S.Paulo.

Um amigo publicou um vídeo nas redes sociais contando o ocorrido, e o caso viralizou. A reitora da Unimes (Universidade Metropolitana de Santos), Renata Viegas, assistiu a uma reportagem sobre Luiz e decidiu oferecer uma bolsa integral ao músico.

“Fiquei muito emocionada, tocada com a história, e liguei para ele. Perguntei se ele poderia tocar num evento. Ele fez uma apresentação de duas horas e no final ofereci a bolsa para que ele pudesse aprimorar seus conhecimentos, se tornar um musicista. É um dever que a gente tem com Deus de dar um primeiro empurrão. Acho que esse foi o meu papel na vida dele”, afirma.

Segundo a reitora, Luiz começará nesta terça-feira (12) o processo seletivo na universidade e já deve iniciar o curso na próxima semana.

O músico toca violoncelo desde os sete anos, inspirado por outros familiares que também se dedicavam a instrumentos musicais.

Pai de um menino de 1 ano e seis meses, ele diz que o filho gosta de ouvi-lo tocar. “Ele fica sentadinho, olhando. Às vezes dança um pouquinho. Eu colocava música clássica quando ele estava na barriga da mãe.”

Luiz está morando há três semanas em Santos. Antes viajava com amigos, fazendo apresentações com o violoncelo. “Já dormi na rua com meu amigo, com e sem barraca, em cima de papelão. Até comprar meu carro foi um corre do caramba”, diz.

Ele afirma que ainda precisa de patrocínio para comprar equipamentos melhores, e diz que está decidido e aproveitar a oportunidade que ganhou com a bolsa de estudos.

“Quero me aprofundar, mesmo. Entender de música, produzir, criar. Meus sonhos não têm limite. Se eu tivesse sonhado baixo, nada disso teria acontecido.”

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