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Que penhor, que nada! Agora a moda é vender e comprar joias usadas

O comércio de produtos usados ou de segunda mão cresceu 48,5% do ano passado para cá, segundo um levantamento feito pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Mais de 2.000 novas empresas desse segmento surgiram nesse período – e não foram apenas brechós de roupas: são lojas de coisas para cozinha, óculos e até joias.

É nesse segmento que atua a Orit, especializada em comprar joias e relógios de pessoas físicas e revendê-los em suas lojas.

“A empresa existe como joalheria, desde 1958”, diz Marcelo Trad, presidente da Orit. Ex-executivo da Doutor123, plataforma para agendamento de consultas e exames médicos, ele foi contratado pela família Sztokfisz, dona da empresa, para reformular a marca e criar um plano de expansão.

A primeira loja da marca já funciona no Shopping Ibirapuera. A ideia é partir para novos shoppings e chegar a 20 lojas até 2026. “O fato de ser uma loja bonita, em shoppings de renome, dá mais confiança ao consumidor que quer vender suas joias. E também para quem vai comprar. Não é como fazer um penhor. E damos nota fiscal de tudo, tanto na compra como na venda”, diz Trad.

E por que esse mercado cresce?

Ele baseia o crescimento desse mercado em três vertentes. O primeiro é o preço. Em média, os produtos na Orit são 40% mais baratos, porém essa porcentagem varia conforme a peça, modelo, marca, ano de confecção, estado de uso.

O outro pilar é a sustentabilidade. “Principalmente o consumidor mais novo, está muito preocupado com isso. Ele gosta de joias e relógios. Mas não quer, por exemplo, fomentar a poluição de rios pela mineração de outro, como a gente vê acontecer todo dia na Amazônia.”

E tem também o saudosismo. Muitos “baby boomers” (a geração que hoje está na casa dos 60, 70 anos), segundo ele, compram porque já tiveram joias parecidas e que foram roubadas. Ou que parecem com as que pertenceram a um parente querido. “Isso é muito comum”, afirma Trad.

E, claro, a facilidade de transformar joias paradas, quebradas e não mais usadas em dinheiro também atrai o consumidor que quer fazer uma graninha. Todas elas são verificadas antes da compra. As de marca, são analisadas para detectar réplicas.

Com isso, o mix de produto da Orit é bem variado, já que são, em sua maioria, peças únicas. “Temos cerca de 10 mil produtos diferentes”, diz Trad.

No varejo de joias, algumas redes já faziam algo semelhante. A Vivara, por exemplo, promove a “Semana do Ouro”, na qual compra joias dos clientes que recebem, em troca, um bônus no valor avaliado para aquisição de um novo item na loja. Mas, diferentemente da Orit, o ouro comprado pela rede é derretido e usado na fabricação de novos modelos. Além de ser uma maneira de oferecer um produto mais sustentável para o consumidor, a estratégia acaba trazendo consumidores novos para a loja.

Riscos

Segundo lojistas do setor de joias consultados pela reportagem, existe um certo risco nesse tipo de negócio. “A loja exige apresentação de nota fiscal de quem quer vender a joia? Porque a peça pode ser roubada”, disse um deles, que preferiu não se identificar.

O Orit informou que, ao vender suas peças, o cliente assina um termo de responsabilidade garantindo a legitimidade e propriedade legal do produto, independentemente da apresentação de comprovante de compra ou nota fiscal.

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