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Franca produz 492 toneladas por dia e aterro beira o colapso; capacidade era de 300 toneladas

O gerente da Cetesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo) de Franca, Alessandro Palma, participou da sessão ordinária nesta quarta-feira, 13, e falou sobre os problemas do aterro sanitário na cidade. O engenheiro sanitarista e ambiental usou a tribuna livre para esclarecer a proibição de descarte de resíduos industriais no Aterro Sanitário Municipal. Na semana passada representantes da indústria calçadista estiveram na Câmara Municipal e relataram que estão há algumas semanas proibidos de realizar o descarte de resíduos no local.
Com o Cadri (Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental) vencido, as indústrias estão impedidas de realizar o descarte de resíduos no aterro municipal.
Segundo Palma, a decisão de impedir o descarte de resíduos das indústrias calçadistas atende a legislação vigente. “Tal medida não se trata de mero aspecto burocrático, a qual depende de documento denominado, que é o Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental”, explicou.

Além do descarte dos resíduos, o gerente da Cetesb relatou o problema de excesso de lixo recebido atualmente no Aterro Sanitário Municipal.
“O aterro foi licenciado para o recebimento total de 300 toneladas por dia de resíduos, sendo desse montante 200 toneladas de resíduos domiciliares e 100 toneladas de resíduos considerados industriais. Atualmente, o último relatório, apontou 360 toneladas de resíduos domiciliares por dia, ou seja, 60 toneladas acima do valor total que havíamos estabelecido ao longo deste licenciamento e quanto aos resíduos industriais estamos recebendo 132 toneladas por dia”, explicou o gerente, que reforçou que esses números já são mais de 60% a mais que a capacidade inicial.

Palma reforçou que o recebimento tão acima da capacidade pode diminuir a vida útil do aterro que, inicialmente, teria vida útil de 27 anos e seria até 2033, pode se transformar em um problema, alertando para as restrições e dificuldades que são enfrentadas para que as autoridades públicas viabilizem um novo aterro.
“O que acontece com o recebimento acima da capacidade, obviamente surte o efeito totalmente deletério em termos de vida útil do empreendimento… Não podemos descartar que isso será uma grande preocupação para o município no futuro. O volume dentro de um aterro sanitário vale ouro, então todas as energias devem ser canalizadas para a redução deste lixo que é encaminhado para o Aterro Sanitário”, explicou, reforçando a importância de intensificar a coleta seletiva na cidade e outras ações com objetivo de reduzir a qualidade de resíduos destinados ao aterro.
Diante dos fatos relatados, o gerente da Cetesb descartou inicialmente a liberação para destinação de resíduos industriais do setor calçadista e reforçou que a decisão de proibir esse descarte não aconteceu “da noite para o dia”, informando que o assunto é discutido desde 2016 e que para o descarte do couro seriam necessárias análises para determinar se esses resíduos não apresentam periculosidade para o aterro, já que a classificação do espaço não permite materiais perigosos ali.

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