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Morre o professor Marcial Inácio da Silva

Morreu na noite deste sábado o professor de história Marcial Inácio da Silva, aos 55 anos. Ele vinha sentindo fortes dores na coluna nos últimos tempos e vinha fazendo, segundo amigos próximos, um tratamento oncológico. Na noite deste sábado, professores que atuaram com Marcial informaram com pesar a morte do amigo. Marcial Inácio foi presidente do diretório do PT em Franca. Foi, também Secretário da Educação no governo do ex-prefeito de Franca, Gilmar Dominici, e foi, também, e vereador. Atualmente, presidia o Conselho Municipal de Educação.

Emocionado, Gilmar Dominici falou com carinho e admiração pelo amigo. “Esse é um momento muito triste. Nós tivemos uma trajetória grande juntos, desde o movimento sindical quando ele, muito jovem, entrou para a diretoria do Sindicato dos Sapateiros. Depois, a militância no PT (Partido dos Trabalhadores), depois participou do nosso governo, ele foi meu secretário de Educação no primeiro mandato. Mais tarde ele foi eleito vereador… Um trabalho extraordinário. Marcial era uma pessoa do diálogo, sempre brincando, de bom humor, muito inteligente, muito esforçado e estudioso. Ele era um trabalhador de fábrica que despontou na política em Franca e teve um ótimo mandato como vereador. Contribuia muito com o Partido dos Trabalhadores e era, inclusive, tesoureiro do partido no momento. Ele me ajudou em todas as minhas campanhas, na coordenação, na elaboração de plano de governo.. É uma perda irreparável. E tão cedo. Conversei com ele há algum tempo, quando fomos a Ibiraci, para uma reunião com o prefeito Ismael. No caminho ele me disse que não estava podendo dirigir por causa de uma forte dor nas costas. Na verdade, já era sintoma de um problema grave que ele só veio descobrir agora, infelzimente. É uma perda que deixa a gente chocado. Perdi um grande amigo e um valoroso companheiro”, disse.

Nas redes sociais, muitos amigos deixaram despedidas emocionadas para Marcial.

A deputada estadual Marcia Lia escreveu: “O Partido dos Trabalhadores perdeu neste sábado um militante aguerrido, tesoureiro do partido em Franca e nosso grande amigo. Com imensa tristeza recebi a notícia do falecimento do professor Marcial Inácio da Silva, que fazia tratamento contra um câncer. Deixa uma história de construção coletiva, de ética e companheirismo. Fará muita falta. Nossos sentimentos à família, esposa e filhos, aos companheiros e companheiras de Franca”.

“Sem palavras, mas não posso deixar de fazer a minha homenagem amigo! Amigo de ideal, de décadas, amigo de sentar na sala e prosear, de luta… Que DOR, mas a sua estava maior… Vai em paz. Sua estrela jamais se apagará!!”, escreveu Li Dias.

“Grande pessoa, excelente profissional. Que Deus o receba de braços abertos. Meus sentimentos ao familiares”, disse Ulisses Rogério.

“Perda de um grande amigo e um grande lutador! Força à família, Mariá e filhos!”, lamentou Osmar Henrique Costa Parra.

“Meu Deus que tristeza, que a esposa e filhos recebam o conforto, forças e oremos por eles neste momento de dor e sofrimento”, postou Márcia Regina Leite Coelho.

Marcial deixa dois filhos, Guilherme e Gabriela, e a esposa, Mariá, que estava muito abalada e não teve condições de falar a respeito da morte do marido.

Marcial era colunista da Folha de Franca, projeto que abraçou com carinho, entusiasmo e idealismo, marcas que acrescentava em tudo que fazia. A equipe Folha de Franca transmite seu mais sincero pesar à Mariá e à toda família.

Segue, abaixo, como singela homenagem, a republicação de um dos textos de autoria do querido professor.

Fundeb: uma conquista civilizatória

A história da educação no Brasil foi marcada pela omissão do poder público por séculos. De meados do século XVI a meados do século XVIII, ou seja, por quase duzentos anos, a educação foi transferida para responsabilidade dos jesuítas, ordem religiosa que administrava os colégios no período colonial. Após a expulsão da ordem religiosa de todos os domínios portugueses em 1759, o Estado assumiu a responsabilidade com a educação em todo reino. Só que essa nova responsabilidade não saiu do papel.

Após a chegada da família real ao Brasil em 1808, a corte criou apenas escolas de ensino superior de Medicina e Direito na Bahia e Rio de Janeiro, com objetivo de formar médicos e advogados para atender os interesses da nobreza e da elite agrária. Durante o Primeiro e Segundo Reinados, 1822 a 1889 e, também, durante a chamada República Velha, 1889 a 1930, nenhuma iniciativa significativa foi realizada na organização do ensino público. Como exemplo do descaso, Franca só foi ter a primeira escola pública, estadual, a Escola Coronel Francisco Martins. Em 1905, 80 anos após a emancipação da cidade, havia apenas escolas confessionais e privada.

Ao longo do século XX, tivemos mudanças importantes, mas só a partir da década de 1980, com aprovação em 1983 da emenda constitucional “Calmon”, após décadas de lutas de educadores, pais e sociedade civil, finalmente veio a vinculação orçamentária para financiar o ensino público. União com 13% e Estados e Municípios com 25%. Após 15 anos da emenda “Calmon”, em 1998, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, entrou em vigor outra emenda constitucional, a do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental), ou seja, uma primeira experiência com fundos dos três entes da federação para financiar os oito anos de escolaridade obrigatória. Mas excluía ensino infantil e médio.

Em 2007, durante o governo Lula, finalmente foi aprovado o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), do ensino infantil, creches e pré escolas, fundamental, médio e educação de jovens e adultos. Este Fundeb venceria em 2020 e o Congresso Nacional, ano passado, aprovou o novo Fundeb de forma definitiva e ainda com ampliação dos recursos federais. Este fundo é tão significativo para educação pública que para o francano ter uma ideia da sua relevância, em 2019, Franca teve retido de seu orçamento para o fundo um total de R$ 62.836.840,81 e recebeu de volta, de acordo com números de matrículas, R$ 112.855.281,76, ou seja, a cidade recebeu R$ 50 milhões a mais em seu orçamento para financiar o ensino em Franca.

O Fundeb aprovado em definitivo pelo Congresso Nacional em agosto de 2020, com mais de R$ 160 bilhões anuais, ou R$ 1,6 trilhão na década, significa um verdadeiro farol no fim do túnel, para universalização e também a tão desejada qualidade da educação pública brasileira. Afinal, a criação desses fundos constituiu-se num grande salto civilizatório e, a atual e as futuras gerações agradecem.

2 Comentários

  1. Amigo querido ,com muito amor ao trabalho e muito companheiro, agradeço por ter tido a oportunidade de trabalhar, de participar juntos de muitas lutas em pró de um bem .que Jesus ti receba com muita luz gratidão.

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