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‘Não dá mais para brincar com o vírus’, diz médico da Vigilância Epidemiológica

“Não dá mais para brincar com o vírus. Se cada um não fizer a sua parte, se proteger, não se expor e não passar para os outros não sairemos dessa situação e, ao contrário, vai piorar muito.” A frase do médico da Vigilância Epidemiológica, Homero Rosa Júnior, reforça a gravidade da situação vivida por Franca na luta contra a Covid-19.

Apenas nos últimos cinco dias, entre a segunda-feira, 22 e essa sexta-feira, 26, quando Franca completou um ano desde o primeiro caso confirmado de coronavírus, foram registradas 14 mortes em decorrência da doença na cidade. Mas, além das mortes e do crescimento dos casos positivos, no mesmo período foram confirmados novos 505 casos, a lotação de leitos tem sido uma preocupação.

“Enfrentamos uma situação crítica, assim como a maioria das cidades. A população precisa colaborar. Usar máscaras, manter o distanciamento, evitar aglomerações, sair apenas quando necessário, por ao menos duas semanas. Mas o que vemos, apesar de todos os alertas, é o desrespeito”, explica.

Segundo o médico a projeção é que já existam variantes do vírus em Franca. Entre os indícios epidemiológicos que apontam para isso está a mudança de comportamento da epidemia e o agravamento maior dos casos. “Os casos que precisam de internação são mais graves e também temos variantes detectadas em cidades da região. Franca não é uma ilha.”

Sequelas

Segundo o médico da Vigilância Epidemiológica estima-se que ao menos 50% das pessoas que forem infectadas pela Covid-19 apresentarão complicações e sequelas. Os sintomas vão desde leves e moderados até mais intensos e podem durar desde algumas semanas até meses.

As sequelas são diversas e podem ser desde infecções ccardiovasculares até pulmonares e renais. “Temos casos de problemas neurológicos, perdas de memória e concentração, perda de visão, tromboses e até a perda de olfato e/ou paladar prolongada”, explica Homero Rosa Jr, que reforça ainda que não é possível definir quais pessoas têm mais tendência em desenvolver sequelas. “Não temos respostas prontas de definitivas para quase nada quando o assunto é covid-19.”

“Eu não sei exatamente como eu peguei. No trabalho, quando visitava os clientes, ou em alguma visita a loja para as compras de Natal. Os primeiros sintomas que senti foram a falta de paladar e olfato no dia 23 de dezembro”, conta Erika Polo, 31 anos, consultora.

A jovem conta que durante o período em que estava com a doença não sentiu mais nada. O grande problema veio depois, quando ela já tinha até mesmo retornado para o trabalho. “Comecei a sentir dores de cabeça e como já tinha ouvido algumas pessoas falarem que era uma sequela normal, não me preocupei muito. Mas em alguns dias as dores eram intensas e cheguei a ir três vezes até o hospital. Quase um mês depois do positivo do covid, em 22 de janeiro, minha visão começou a ficar turva”, disse.

A consultora fez uma ressonância e o resultado, segundo ela, foi assustador: trombose venosa cerebral. Inicialmente ela faria repouso absoluto, mas depois, após uma análise mais criteriosa, o médico optou pela internação. “Por ser paciente pós covid o médico me passou um anticoagulante e como não achava para comprar fui internada para receber a medicação. Foi uma semana, tomando a medicação de 12 em 12 horas e a dor melhorou”, disse. Agora ela tem um retorno marcado para o início de abril e deve seguir fazendo acompanhamento.

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