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O médico Théo Maia detalha quais são os sintomas da depressão

Por Théo Maia Pedigone Cordeiro

Que nome tem o sofrimento de nossa época? Conversas do cotidiano, diagnósticos e levantamentos mundiais afirmam que é depressão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas no mundo convivem com o transtorno mental, cuja incidência aumentou mais de 18% entre 2005 e 2020.

Claramente, pessoas olham a vida como uma empresa, onde a mesma é medida pelos resultados.

Freud, em suas teorias de psicanálise, tinha apreço pelos estudos da dor humana. Este sofrimento íntimo, da pessoa mesma, bebe da nascente dos excessos de situações e sensações de que se não está completo, indo ao extremo oposto do vazio existencial. O que incomoda perturba, transtorna, desorganiza e traz mais insatisfações.

As fontes inesgotáveis estão no corpo, na alma, naquilo que nos cerca ou que poderia estar ao nosso alcance e, sem dúvida, nas relações com os semelhantes que, é bom notar, não vêm dando mostras de tanta semelhança assim. É triste e, como tal, tome sofrimento!

Na proposição de fim do mal-estar, psiquiatras, psicanalistas, psicólogos e outros dedicados à ciência da Psicopatologia Fundamental se veem com insônia para encontrar a fórmula do bem-estar.

Retocada, por Photoshop ou no bisturi, a dor humana, quantas vezes, assume feições de violência. O sofrimento hoje nomeado de pós-moderno, por suas novas faces, é um velho dilema de todos.

Os analistas não escapam. Angustiam-se pela angústia do paciente, pela empatia esperads dos que clinicam por vocação.

Assim fica fácil compreender que depressão é um problema de saúde pública, relacionado à incapacidade funcional e à elevada morbi-mortalidade.

Para que a depressão maior seja diagnosticada é necessário que pelo menos cinco sintomas, a seguir relacionados, estejam presentes diariamente por, no mínimo, duas semanas consecutivas, ou, ao menos, os itens “a” ou” b”:

  • humor deprimido na maioria do dia;
  • desinteresse e desprazer pela maioria das atividades cotidianas;
  • significativo ganho ou perda de peso ou aumento ou perda de apetite;
  • insônia ou excesso de sono;
  • agitação ou lentidão psicomotora;
  • fadiga ou perda de energia;
  • sentimentos de desvalia ou excessiva e inapropriada culpa;
  • dificuldade de concentração mental;
  • pensamentos recorrentes sobre morte, ideação suicida recorrente, tentativa de suicídio perpetrada ou planejada.

A depressão é pouco diagnosticada pelo médico não-psiquiatra.

Em serviços de cuidados primários e outros serviços médicos gerais, 30 a 50% dos casos de depressão não são diagnosticados.

Os motivos para o subdiagnóstico advêm de fatores relacionados aos pacientes e aos médicos. Os pacientes podem ter preconceito em relação ao diagnóstico de depressão e descrença em relação ao tratamento. Os fatores relacionados aos médicos incluem falta de treinamento, falta de tempo, descrença em relação à efetividade do tratamento, reconhecimento apenas dos sintomas físicos da depressão e identificação dos sintomas de depressão como uma reação “compreensível” (v. Revisão das diretrizes da Associação Médica Brasileira para o tratamento da depressão – Rev. Bras. Psiquiatr. vol.31, supl.1 São Paulo, maio de 2009).

(Crédito – TJDF – Informações)

Sugere-se que o tratamento da depressão não seja orientado apenas pela utilização de antidepressivos. Os psicofármacos constituem apenas uma parcela do tratamento e as alternativas devem ser consideradas pela equipe multiprofissional para o manejo adequado do paciente.

É importante salientar que a farmacoterapia não vai facilitar as relações interpessoais ou resolver os conflitos dos pacientes. Quando o antidepressivo for realmente necessário, a avaliação cuidadosa do paciente e a escolha do medicamento com base no seu perfil de eficácia, segurança e custo devem ser considerados, contribuindo para seu uso racional. 

Uma pessoa deprimida clama por ajuda, ainda que não verbalize o pedido de socorro

A intervenção externa, dos familiares, dos que lhe são próximos, pode impedir uma que ela não dê cabo à própria vida.

À família, a identificação da doença, dos seus sintomas, é mais fácil. Dar atenção e ouvir o que o deprimido, em seu pesado silêncio, tem a dizer. Ele carece de acolhida, calor humano real, para cair em si, como se diz por aí, entender que o que está enfrentando é um problema de saúde e não que está fazendo corpo mole, não quer trabalhar ou que lhe falta disposição para as atividades normais. A falta desse apoio, o medo do que os outros vão pensar se disser que está com depressão, agravam o quadro.

O ombro amigo pode ser maior se virar um colo, como dispositivo simples, que todos possuem, erguendo-se como instrumento do bem contra o suicídio e pode diminuir as chances de alguém decidir tirar a própria vida.

Cuide bem de sua empresa, e da concorrência.

Théo Maia Pedigone Cordeiro

Médico de Família e Comunidade pelo Hospital Israelita Albert Einstein.

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