Região

Trabalhadores são resgatados em condições análogas à escravidão na região

Uma operação resgatou na manhã desta terça-feira, 13, 22 trabalhadores que viviam em condições análogas à escravidão na zona rural de Ituverava, no Distrito de São Benedito da Cachoeirinha. A investigação teve início após uma denúncia. Foi então formado um grupo com auditores do trabalho que ficaram responsáveis por apurar a situação. “Tomamos conhecimento que haviam trabalhadores que haviam sido trazidos do Maranhão para a região de Ituverava e que se encontravam em situações degradantes de alojamento e não estavam recebendo de forma correta”, disse o procurador do Ministério Público do Trabalho, Gustavo Rizzo Ricardo, durante coletiva de imprensa realizada na tarde de hoje.

No local, após a confirmação das condições análogas à escravidão, os representantes fizeram uma negociação com os empregadores e hoje foi feita a rescisão do contrato de trabalho dos 22 trabalhadores e os mesmos receberam as verbas rescisórias. “De posse das informações fomos até o local e verificamos que realmente estavam em condição precária de alojamento, onde não existia local para dormir, onde não existia cama… Não tinha local para alimentação, as marmitas e nem as garrafas de água para levar para a frente de trabalho. O pessoal dormia no chão, nas redes que eles mesmo trouxeram”, disse o auditor fiscal do trabalho, Claudio Secchin, que relatou ainda que os poucos colchões que haviam foram descontados dos trabalhadores, assim como as passagens que os trouxeram do Maranhão para Ituverava.

Segundo o MPT (Ministério Público do Trabalho), os trabalhadores eram atraídos pelos empregadores com promessas falsas de emprego. Eram ofertados salários que chegavam aos R$ 4,2 mil mensais, alojamento e condições de trabalho digno, compromissos que não foram cumpridos após a chegada dos trabalhadores. Ainda segundo o MPT, os trabalhares também faziam suas necessidades fisiológicas no mato, à céu aberto. Nenhuma medida de proteção contra a COVID-19 estava sendo adotada na frente de trabalho. Máscaras e álcool gel não eram fornecidos aos trabalhadores .

Os trabalhadores, que atuavam no cultivo de cana-de-açúcar na região, foram encaminhados para a Gerência do Trabalho em Franca onde concretizaram a rescisão do contrato com o empregador. A informação inicial é que ainda hoje eles retornariam para suas cidades de origem. A viagem, que pode durar até três dias, deve ser custeada pelo empregador que os atraiu até Ituverava. Agora o MPT deve seguir com a investigação do caso, mesmo após o resgate dos 22 trabalhadores.

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