Religião

Demarcando Território

Como os animais, os humanos também tendem a marcar limites. Este instinto, que nos leva a defender o que é nosso, pode assumir formas mais racionais através do nascimento de instituições ou pode manter uma agressão primitiva levando-nos a usar meios até violentos para afirmar nosso domínio sobre um território. Certamente, reconhecer os limites de um território, de um grupo, de uma instituição ajuda a crescer em identidade. O problema começa quando tornamos a identidade estritamente dependente de fronteiras. João, o discípulo mais jovem de Jesus, é a voz, talvez ainda ingênua, da obsessão pelas fronteiras, é a voz daqueles que reivindicam o direito de poder determinar arbitrariamente quem pode pertencer ao grupo e quem deve ser excluído dele.

Mas a Igreja de Cristo não tem o centro em si mesma. “A Luz dos povos é Cristo”(LG). “A Igreja, segundo São Leão Magno, é a Lua e Cristo é o Sol. A Igreja não tem luz própria, mas reflete a Luz de Cristo. A Igreja é um instrumento, meio para chegar a Cristo, mas também é verdade, como diz São Cipriano, que “Ninguém pode ter Deus como Pai, se não tem a Igreja como Mãe. Evitemos colocar obstáculos no caminho de fé das pessoas e possibilitemos a elas a inserção na Igreja, de modo que todos tenham a oportunidade e um espaço na comunidade cristã. 

Quem é realmente que pode se definir como cristão? Quem é que verdadeiramente pertence a Cristo? Podemos nos dizer cristãos, mas sermos pessoas contraditórias. Se a pessoa semeia amor, misericórdia, comunhão e se faz próximo da humanidade ferida, é uma pessoa de bem. É possível que encontremos pessoas que são católicas não praticantes, mas é possível que encontremos também pessoas que não são mais católicas e são praticantes. O Papa Francisco diz que “antes de ser Católicos devemos ser pessoas humanas”. Podemos usar nossas mãos para fazer o bem e com nossos pés podemos nos colocar no seguimento de Cristo e irmos ao encontro das pessoas que sofrem. Faz-se necessário no mundo de hoje ter, mais um olhar de amor, de compaixão e de acolhida do que de julgamento e ódio.

Fonte: Portal Cerco il tuo volto

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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