Religião

Olhando para o alvo

Deus é realmente bom para Israel, bom para com os puros de coração. Estive prestes a tropeçar, por pouco não me afastei do caminho. Senti inveja ao ver a prosperidade dos arrogantes, a riqueza dos maus”.  (Salmos 73.1-3)

O texto acima foi escrito por Asafe, um homem escolhido para servir a Deus no recém construído templo de Salomão. Sua responsabilidade era ministrar louvor – e ele vivia única e exclusivamente dessa atividade, mas com o tempo, se tornou um homem triste, e amargurado, deixou de prestar atenção ao seu ofício, observando mais os homens do que a sua vocação. Começou a questionar porque o homem sem Deus prospera enquanto aqueles que servem a Deus sofrem. Se lamentava porque ele mesmo não tinha nada daquilo que os homens sem Deus tinham. Infelizmente quando agimos assim progredimos gradativamente para viver também uma vida sem Deus. Asafe não foi o primeiro nem o último a deixar de adorar a Deus para cuidar da vida dos outros… Hoje em dia tem tanta gente preocupada com a vida dos outros que se esquece do Cristianismo, e tem tanta gente preocupada com o Cristianismo que se esquece de Cristo! Essa atitude é resultado de um esfriamento da fé.

O salmo 73 foi escrito depois que Asafe se reconciliou com Deus. Mas até ele se reencontrar com Deus um árduo caminho foi trilhado. Asafe não pinta o futuro usando as lentes de um óculos cor-de-rosa; ele não é um profeta de língua suave. Ele não acredita na melhora do mundo, ele concorda com Cristo, e sabe que o mundo jaz do maligno. O mundo é mais propenso a afundar em destruição e caos do que a melhorar ou evoluir como afirmam alguns; a única opção para o mundo é sem dúvida uma esperança estabelecida diante de nós nas Escrituras, essa esperança se chama Cristo. Asafe descreve uma comunidade sem Deus, cruel e truculenta, endurecida pela maldade de coração que ainda que melhore politicamente, se torna cada vez pior espiritualmente. Mas cabe lembrar que certamente, somos assegurados que os homens maus e enganadores irão de mal a pior e um dia perecerão.

No entanto, o maior perigo nesse texto, não é o Homem sem Deus no sentido convencional da palavra. Se não fosse o pecado original, poderíamos dizer que aquele que ainda não conhece a Jesus é até inocente no que faz, afinal de contas ele não aceitou a Cristo, não teve um encontro com Deus. Mas o grande problema de nossa época, é o sem número de pessoas que servindo a Deus não conseguem experimentar a Bondade que vem de Suas mãos amorosas. Ao olharmos para o mundo vamos nos sentir como Asafe se sentiu: vamos sentir que nos consagramos e que santificamos nossa vida inutilmente – o nome disso é inveja… Felizmente Asafe percebeu seu erro. Percebeu que estava vivendo uma vida vazia, meramente formal, mas um dia ele entrou no Santuário: entrar no Santuário significa, voltar-se a Deus. Não devemos olhar para o que o Homem sem Deus faz, mas sim para aquilo que Deus pode fazer por essas vidas. Aqueles que não se aproximarem de Deus, certamente terão o fim anunciado no Salmo 73.

Não basta parecer alguém bom. A “aparência” não é tudo, há um “poder” bendito em viver plenamente uma vida de intimidade com Deus. Não devemos olhar para os outros, mas sim para Cristo. Só Ele pode operar em nós a boa vontade de Deus. Não podemos olhar para a Igreja ou para qualquer ser humano, só para Cristo. A igreja é lugar de gente imperfeita…. Uma vez alguém disse: “Não vou à igreja porque ela está cheia de pessoas imperfeitas”… A esse comentário podemos responder: “mais um motivo pra você ir à igreja, lá sempre cabe mais um”! Precisamos estar aos pés de Cristo. A nossa fé pode ser pequena, mas nossa atitude precisa ser grande, radical. Nossa vida em Cristo pode ser pequena, mas como o grão de mostarda crescerá à medida que nos alimentamos daquilo que vem dos Céus. Você pode ser o menor em Israel, mas é melhor do que ser o maior na Babilônia.

André Moreira

É casado com a Ana, pai da Mariana e membro da Igreja da Cidade em Pindamonhangaba. É teólogo, filósofo, historiador e especialista em Administração e Teologia Pastoral. Autor do livro "Religiões Comparadas", publicado pelo Ibad. Leciona disciplinas como Hermenêutica, História da Teologia e Ecumenismo na Fabad. Instagram: @leal_e_moreira.

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