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Ansiedade

O Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), ao apontar que 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade. Pesam nesse cenário fatores socioeconômicos, como pobreza e desemprego, e ambientais, como o estilo de vida em grandes cidades. O transtorno de ansiedade é um problema de saúde pública e é marcado por sintomas como a dificuldade de concentração, problemas no sono e preocupação excessiva. Os dados da OMS mostram, contudo, que o problema é global. São 264 milhões de pessoas sofrendo atualmente com transtornos de ansiedade.

Perspectiva

Ainda que as estatísticas sejam alarmantes, teóricos apontam que é um erro considerar que estamos na era mais ansiosa da história – muitos estudos sugerem justamente o contrário, uma vez que ansiedade só passou a ser encarada com mais coerência a partir dos escritos de Sigmund Freud (1856-1939) e foi aceita nos manuais médicos como um problema de saúde digno de nota a partir da década de 1980. O que muda, de tempos em tempos, conforme a cultura e a sociedade, são os gatilhos detonadores da ansiedade.

Definições

A ansiedade é uma emoção a partir de eventos que percebemos ou interpretamos como ameaçadores. Isto é, pode se tratar de um evento ameaçador de fato ou então podemos interpretá-lo erroneamente dessa forma. A ameaça pode ser física, como quando estamos numa estrada perigosa num dia chuvoso, ou psicológica, imaginária mesmo, por exemplo, se pensarmos que podemos perder o controle. Vem acompanhada de respostas fisiológicas no organismo, que fica preparado para lutar ou fugir. Nós nos sentimos apreensivos, nervosos, tensos e com medo, além de nos engajarmos em estratégias de enfrentamento ou de evitação.

Medo ou ansiedade?

Ansiedade pode ser facilmente confundida com medo, por isso é importante distinguir ambos. Medo é uma emoção que ocorre quando entramos em contato com um estímulo ameaçador identificável e envolve uma série de respostas fisiológicas, cognitivas e comportamentais no sentido de evitar a ameaça. Tem função adaptativa e costuma ser transitório, isto é, assim que o perigo acaba o medo tende a passar. Já a ansiedade tem uma duração maior, envolve respostas que ocorrem devido a indicações de perigo iminente bem definidas ou a situações ambíguas que são interpretadas como indicação de risco, dentre as quais podem estar eventos externos ou até mesmo expectativas negativas. Além disso, o estímulo causador da ansiedade frequentemente não é identificado. Também pode ser adaptativa pois, ao manter o alerta, a vigilância e o tônus muscular elevados, aumentam a chance de sobrevivência em situações possivelmente perigosas.

Viver fora do tempo presente

Se a depressão e a melancolia trazem a marca de reminiscências do passado, a ansiedade pode resultar da expectativa sobre um evento futuro. Isso depende da história do sujeito dentro de determinados contextos. Pode ser eventualmente, um traço de personalidade constitucional e/ou desenvolvido a partir de traumas e/ou modelados pela experiência. Outras características que costumam acompanhar esse traço são os sentimentos de preocupação, inferioridade e indecisão. De acordo com Barlow e Mercier dois teóricos da ansiedade na linha Cognitivo Comportamental hoje, quanto maior a tendência de interpretar eventos como ameaçadores, mais intenso é esse traço de personalidade, algo que ombreia, inclusive, a paranoia. As reações da ansiedade têm a função protetiva, mas podem causar muitos transtornos a seus portadores. Busque auxílio médico e psicológico, se identificar em si aspectos ansiosos que atrapalham a sua vida.

Vanessa Maranha

É Psicóloga, Jornalista, Escritora Premiada, colunista da FF.

3 Comentários

  1. ADOREI VAN!!! Muito bom e esclarecedor. Fora o pânico que é ocasionado por crises de ansiedade. Mas isso já é assunto para uma próxima pauta. Heheheheh. Bjos. Sucesso!

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