ColunasVanessa Maranha

Convite

A coluna de hoje é um convite para os leitores participarem do evento online “Leia Mulheres Franca”, um clube de leitura que elegeu, como objeto de discussão pelo Zoom, neste sábado, 31/07, às 15h30, o meu romance ‘A filha de Mrs. Dalloway”, (Edufes), vencedor do Prêmio UFES de Literatura 2020, da Universidade Federal do Espírito Santo.
Mesmo quem não o leu pode participar da discussão e das reflexões em grupo. Para acessar, preencha este formulário e se inscreva:

https://docs.google.com/forms/d/1606HcreDFj4Flcp5VHNx9fvRoybneN5OqdTMG_OOeok/viewform?edit_requested=true

Evento gratuito
Partiparei, como autora, deste encontro. Um dia antes, os inscritos receberão de Naiara Alves e Érica Schneider, organizadoras do Leia Mulheres Franca o link de acesso.

Percurso

Abaixo, conto, por atos, um pouco da história desse romance que homenageia ficcionalmente a escritora Virginia Woolf.

Ato 1

Em 1989, o Teatro Municipal de Ribeirão Preto anunciou uma temporada da peça ‘Quem tem medo de Virginia Woolf?’, texto complexo de Edward Albee, que já havia sido transposto para o cinema.
Eu então não tinha nem 18 anos ainda e não sabia quem era VW. O título, só ele, (não havia Google na época, mas havia enciclopédia), foi, de todo modo, tão poderoso que me movi 90 km para assistir a uma peça extremamente densa que não tratava da vida nem da obra de Virginia Woolf, mas pincelava estruturalmente sua mordacidade, sua desconstrutividade narrativa. Virginia Woolf e James Joyce (sobre cuja obra ela era jocosa), são figuras centrais do Modernismo inglês que, por extensão, no processo de antropofagia da Semana de Arte Moderna de 1922, influenciou profundamente o Modernismo brasileiro.

Ato 2

A genialidade de Albee foi apresentar algo da atmosfera VW.
Nesse meio tempo, então, li todo o Modernismo nacional e, em 2002, o saudoso escritor francano Nelson Damasceno me presenteou com três obras de Woolf: ‘Mrs. Dalloway’; ‘Orlando’ e ‘Ao farol’, dizendo que eram essenciais para o tipo de prosa que eu fazia.
Antes de lê-los, assisti ao filme ‘As Horas’, a partir do livro de Michael Cunningham, que ficcionaliza e traz para a contemporaneidade um híbrido da biografia de Virginia Woolf e do romance ‘Mrs. Dalloway’, o escrito e a filmagem exuberantes.

Ato 3

O filme me mobilizou de forma tão pungente – toda aquela avassaladora discussão em torno de vida, morte, suicídio -, que imediatamente comecei a ler o romance ‘Mrs. Dalloway’, obra prima do fluxo de consciência, da escrita psicológica, da quebra temporal, do estranhamento, entre tantas outras técnicas e aprofundamentos literários.
Me apaixonei pela literatura de VW.

Ato 4

Em 2017, algo me chamou a revisitar “Mrs. Dalloway” e, a cada leitura, mundos que íam do fascinante ao terrorífico.
Dessa vez, a figura nublada de Elizabeth Dalloway, filha da personagem Clarissa Dalloway, me arrebatou, inclusive, como psicóloga.
Pensei, em causalidade psicanalítica: “que tipo de pessoa uma mãe tão retirada de tudo e tão dentro de si, como Clarissa, engendraria?”

Ato 5

Daí idealizei, a partir da ideia original de Cunningham, a ficção da ficção, um livro que discute, a partir das inquietações feministas de VW, o lugar da mulher naquele e nesse mundo, dando fôlego à personagem filha de Clarissa. Um livro que já como projeto foi participante do Pitching Amazon KDP na FLIP 2017. Posteriormente, em 2018, ficou finalista ao Prêmio de Incentivo à Publicação Literária, 100 Anos da Semana de Arte Moderna de 1922-2018 do extinto Ministério da Cultura e, conforme já mencionado, 2020 foi premiado e lançado na Universidade Federal do Espírito Santo, em Vitória (ES).
Venham participar! A discussão promete!

Vanessa Maranha

É Psicóloga, Jornalista, Escritora Premiada, colunista da FF.

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