ColunasLulu do Canavial

“É hoje o dia, da alegria…”

Inhaim?
Chegou o grande dia. Eu, Lolosa e Tobiniana chegamos na quadra da Escola do “broco” Unodu Segurucu pra sair na avenida naquela primeira noite, na Passarela Tapaxanas. Já chegamos com as cabeças cheias de cachaça, chamando urubu de meu loiro e Jesus de Genésio. Fomos direto procurar a estilista para pegar a nossa fantasia. Lolosa foi de jogadora da Seleção com a camisa 10 e uma chuteira. Não precisava. Tobi recebeu um espartilho, cinta liga, costeiro com três penas (foi o que o dinheiro deu pra compar), uma bota preta pra cima do joelho, com uma algema pendurada de lado e um chicote. O problema foi esconder as partes íntimas. Não tinha “implasto” Sabiá que tapasse a mala. Precisou de duas monettes para ajudar a esconder o danado.

E eu esperando a fantasia de Rainha da Bateria. Tudo trabalhado em paetê, cristais, salto alto e costeiro cheio de penas de pavão. Tava doidinha para mostrar as minas volúpias pro público e pro “Ravierrrrrrrrr”, meu contrabandista paraguaio tocador de reco-reco.

Mas aí me aparece o “Mon Amour da Quebrada” com um cabide na mão e um par de botinas daquelas que têm biqueira de ferro na ponta. A chamada “Mon” pelos puxa-sacos me disse que se eu quisesse era para ajudar a empurrar carro alegórico, ajudando a empurar o carro abre-alas com a nojenta da Giselda Foca Boloca, também conhecida como pão de queijo quente (todo mundo quer quando sai do forno, mas ninguém encosta com calor) Em cima do carro, o Rei Momo e mais 20 criacinhas. E quem ia empurrar era eu e mais cinco homens cheirando bode velho. Pior de tudo isso foi a a “mon” que enfiou um boné de gari no meu cabelo armado.. Fiquei parecendo uma abóbora cabotiá.
Na próxima, Lulu a aventura no Carnaval continua.

Luciene Garcia

É jornalista e criadora da personagem Lulu do Canavial.

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