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Feminicídio

As mulheres, ao longo dos séculos, milênios, até, tiveram que lutar arduamente por conquistas como direito ao voto, estudo, inserção no mercado de trabalho, divórcio, entre várias outras.
Com todos os avanços conseguidos, a violência contra a mulher, contudo, ainda persiste.

Dados

Segundo dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no Brasil atualmente ocorre um feminicídio a cada seis horas e meia. Os assassinatos praticados contra mulheres por sua condição de gênero são perpetrados, em sua maioria por companheiros, ex-companheiros ou pretensos companheiros. Como na última semana, a morte de Thábata Gonzáles Silva, 34, por seu ex-marido, um policial militar, inconformado com a separação, que fora desejo da mulher.

Cultura misógina

O histórico da violência contra a mulher é impressionantemente repetitivo: somente quando ultrapassam os limites do suportável, em termos de agressão psicológica e/ou física é que muitas mulheres buscam socorro na Lei, registrando boletins de ocorrência em delegacias, solicitando medidas protetivas e cautelares. Mas, num país em que a impunidade é quase cultura, em que na maioria dos casos que culminaram em homicídio, as vítimas já haviam sinalizado pedido de socorro, acionado a polícia, solicitado proteção, tais ocorrências transformam-se em alarmantes indicadores de sintoma psicossocial do nosso tempo: misoginia, machismo, cultivo do ódio e da força bruta, ausência de empatia, desrespeito de gênero, dominação pela força bruta, coação, retrocesso.

Descaso oficial

É desolador o descaso para com essas vítimas, muitas vezes rotuladas e, não raro, desprezadas por parte das autoridades que deveriam protegê-las. Elas então, não raro, em situação de vulnerabilidade socioeconômica, acabam por se submeter a abusos de toda ordem.
Fazer ouvidos moucos, calar-se diante da violência contra a mulher é compactuar com ato criminoso. É vítima, sim, todo aquele que fisicamente mais frágil não possa se defender.

Denuncie, insista

É preciso denunciar a violência contra a mulher e contra qualquer ser humano indefeso. É preciso insistir. Não podemos, enquanto sociedade, aceitar o crescimento de tragédias dessa dimensão.
Denuncie, não se cale, não se omita, não compactue com o seu silêncio para perpetuar essa chaga social, não seja cúmplice do horror. Basta.
Contrariando o ditado: em briga de marido e mulher, às vezes é necessário meter a colher, sim.
Não se vive sob ameaça e horror. A cantora Nina Simone disse: “liberdade para mim significa não ter medo”.
Que possamos, todas as mulheres, vivermos sem medo.
Feminicídio é assunto muito sério.

Vanessa Maranha

É Psicóloga, Jornalista, Escritora Premiada, colunista da FF.

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