Inspirados

Hidrorragia

Tarde de agosto, de sol escaldante,

Do inverno pouco lembrava,

A não ser pela manhã, brilhante,

Com temperatura amena, se insinuava.

Quase cinquentas dias sem chuvas

De olho no céu, atrás de nuvens escuras,

Viraram mania os lamentos de viúvas

E de órfãos dos tempos de securas.

A crise hídrica desperta consciências

Na base da lei da ação e reação.

Falta de planos, de investimentos: imprevidências,

Revoltas do clima vêm; não tem perdão!

Fazer cada um a sua parte? Sei lá!

No clube, na lavoura, no vizinho e em casa,

Água jorra à vontade, serve de vassoura e pá.

O que do racional será se o espeto virar brasa?

Antes que a noite o seu plantão assumisse,

Na anemia profunda do poente desmaiando,

Deu de beber para que cada planta se abrisse

No sorriso molhado da vida que está escasseando.

Ao perceber a festa no jardim

Na atmosfera fresca criada com economia,

Viu sapinhos, vasos, cascalhos; um querubim;

E os gnomos que somos na agenda do dia.

Theo Maia

Advogado Previdenciarista. Sócio-administrador da Théo Maia Sociedade de Advogados (OAB-SP 16.220)

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