Opiniões

Abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes

Por Camila Letro Tozati

A lei 90970/200, instituiu o dia 18 de maio como o dia Nacional do Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Esta data foi escolhida em memória a menina Araceli Crespo que foi sequestrada, violentada e morta, no dia 18 de maio de 1973, em Vitória (ES), até hoje os agressores não foram punidos. A cada 7 minutos uma criança perde a sua infância no Brasil, por isso, a importância de abrirmos nossos alhos para os sinais.

O abuso sexual pode ser um beijo, uma carícia, um contato com a parte íntima da criança ou adolescente, mas não necessariamente através de um contato físico. Pode acontecer pela internet, obrigando uma criança ou adolescente a expor o seu corpo através de uma webcam ou fazendo com que consuma uma produção da indústria pornográfica, ou fazer com que essa criança ou adolescente observe um órgão sexual de um adulto que se exibe através de uma webcam. Tudo isso é abuso sexual.

Muitas crianças e adolescentes confundem situações de violência sexual com afeto, porque nunca foram orientados, infelizmente ainda é um assunto que envolve muito preconceito. Conversar com as nossas crianças e adolescentes sobre esse assunto é muito importante, a educação sexual de forma assertiva, pode evitar novos casos de abuso.

Precisamos estar atentos aos sinais, crianças e adolescentes abusados sexualmente apresentam sinais como:

Na idade pré-escolar: enurese (urinar na roupa) e encoprese (evacuar na roupa), perturbações do sono, transtornos de estresse pós-traumáticos, comportamento sexual inadequado.

Idade escolar:  apresentam medos aparentemente exagerados, agressividade, dificuldade escolar, hiperatividade, desenha órgãos sexuais.

Adolescência: depressão, uso e abuso de drogas, comportamento sexual inadequado, transtorno alimentar, ideação suicida, automutilação e em alguns casos, fogem de casa.

Pelo menos 97% dos casos de violência sexual ocorrem dentro do ambiente familiar, por amigos próximos, parentes, pais, padrastos, avós, primos, pessoas que deveriam cuidar, dar carinho, proteção, são as que molestam. Na grande maioria acontece debaixo dos nossos olhos.

Dificilmente a criança mente que foi abusada sexualmente, em 92% dos casos, elas falam a verdade. Estima-se que 8% inventam, sendo que ¾ das histórias inventadas são induzidas por adultos.

Em caso de suspeita, converse com a criança ou adolescente, acolha-o com carinho e segurança.

Conscientizar a população para o combate a esse crime é dever de todos, para garantir a proteção das nossas crianças e adolescentes contra o abuso e a exploração sexual.

O abuso sexual não é brincadeira, deixa sequelas emocionais para o resto da vida.

Calar-se também é crime.

Para denunciar qualquer caso de violência sexual contra crianças e adolescentes, é necessário procurar o Conselho Tutelar, delegacias especializadas, autoridades policiais, ligue para o Disque 100, procure a escola, os professores, orientadores ou diretores.

Camila Letro Tozati. Psicóloga, bacharel em direiro, doutoranda direto(PROSUP-CAPES) no Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Promoção de Saúde.

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