Opiniões

“É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente. ”

Quando se fala em violência pensa-se violência física, entretanto há outras formas de violências tão agressivas quanto a agressão física, como por exemplo a violência moral, psicológica, sexual, a violação dos direitos das crianças e adolescentes, etc, que ocorre em todas as classes e grupos sociais, atinge meninos e meninas, crianças e adolescentes, sendo provocada dentro da família e dentro da sociedade.

Após 1960 e 1970 começou a despontar no Brasil uma consciência maior sobre a questão da violência contra a criança e ao adolescente no âmbito das relações familiares. Os primeiros estudos de casos analisados pareciam apontar para fatos isolados cometidos por famílias de baixa renda, por “mães desequilibradas” e “pais alcoólatras”. No entanto, a vivência demonstrou que casos assim não eram tão raros e que os agressores se expandiam por todas as classes sociais, desmistificando a ideia que só ocorriam casos em famílias de baixa renda e ou com nível de escolaridade baixo.

Veronese e Costa (2006) explicaram que a violência é abuso da força, usar de violência é agir sobre alguém ou fazê-lo agir contra sua vontade, empregando a força ou a intimidação”.

Na violência doméstica ou familiar podem interagir e potencializar simultaneamente características pessoais do agressor, conflitos familiares e até transgeracionais, traumas, fatores relacionados ao contexto socioeconômico da família e elementos culturais, o que explica o fato da violência doméstica não ser exclusiva de uma classe desfavorecida, perpassando indistintamente todas as classes sociais e acontecendo geralmente no espaço privativo, abrangendo a violência física, a violência psicológica e a violência sexual, podendo acarretar sequelas gravíssimas e até a morte da criança ou do adolescente.

Entre as situações de risco e vulnerabilidade vivenciadas pelas crianças e adolescentes destacam-se a fragilização ou escassez de vínculos familiares, a negligência, o abandono e a violência doméstica.

A agravante negligência, que se configura quando os pais ou responsáveis falham em suprir as necessidades básicas de seus filhos, como por exemplo a alimentação, vestimenta, descaso com a saúde; como deixar de vacinar os filhos; com a higiene, com a educação, o abandono, que ocorre quando os responsáveis deixam a criança à própria sorte e exposto às vulnerabilidades seria a forma mais grave de negligência.

Infelizmente somando à agravante negligência há um fenômeno muito comum dentre as famílias com violência, chamado PACTO DO SILÊNCIO, que consiste em pessoas do núcleo familiar (pessoas que teriam o dever e a possibilidade de proteger) simplesmente se paralisam e não conseguem agir em prol da vítima, ou seja agem como se fossem aliadas (os) do agressor, desprezando os sinais de alerta, inclusive quando há queixa explicita e marcas notórias. Portanto quanto mais pacto do silêncio houver, seja entre profissionais, vizinhos, familiares e até a própria vítima, mais casos de violência terá.

Geralmente esse tipo de violência é velada e pouco discutida, entretanto é necessário levar informações e conscientizar crianças e adolescentes para a autoproteção e redução de casos de abuso e violência, além de torna-los agentes multiplicadores…

Não cabe aqui aprofundar cada uma dessas categorias, apenas situar a gravidade do fenômeno, no mesmo plano da violência urbana e da violência estrutural, e a imperiosa necessidade de preveni-lo e enfrentá-lo, em todas as suas facetas e gradações.

Sabendo-se de ações e políticas públicas em prol de crianças e adolescentes vítimas de violências ou abusos sexuais, torna-se possível e acessível a criança ou adolescente ir buscar seus direitos e solicitar ajuda, pois há respaldo para o enfrentamento da violência.

O Disque 100 é um serviço de discagem direta e gratuita disponível para todos os estados brasileiros, com o objetivo de acolher denúncias de violência contra crianças e adolescentes, visando à interrupção de cada situação revelada e ao imediato encaminhamento ao órgão competente para atuar no caso.

Busque ajuda de profissionais capacitados, faça bonito, salve vidas, denuncie!

Analba dos Reis Alves

É psicóloga (CRP 06/173476) [email protected] @psi.analba

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