Opiniões

Essa história outra vez?

Sempre gostei de ler e contar histórias seja para minha filha, meus alunos ou em meus atendimentos. a leitura faz parte da minha rotina.

As crianças em especial gostam de ouvir repetidamente as mesmas histórias e isso tem suas razões.

Quando minha filha era pequena, por mais que eu tentasse apresentar novas obras, a cada livro novo que eu terminava vinha o pedido: Agora você conta aquela? Passamos alguns meses com a mesma história, noite a noite.

Atualmente revivo esta experiência com meus pequenos nos atendimentos, algumas crianças sempre escolhem o mesmo livro, semana a semana.

Mas o pedido rotineiro de sempre ouvir a mesma história tem uma razão.

Muito mais que laços quando lemos as histórias para nossos filhos, estamos os repertoriando de conceitos e vivências.

A cada repetição, uma nova história!

As crianças precisam ler os mesmos livros e ouvir as mesmas histórias e brincar com as mesmas brincadeiras repetidas e repetidas vezes, porque, a cada vez que a repetem, novas facetas da história são percebidas e apreendidas, nossos filhos nesse momento estão aprendendo sobre o mundo e, uma criança que está aprendendo a reconhecer as letras e seus sons, se sentirá muito confiante e confortável ao prever e antecipar o que vai ler, o que vai acontecer em cada página, percebendo e produzindo novos sentidos a cada novo contato.

É importante ressaltar que a leitura não aconteça como uma mera repetição, mas que a seja feita com entonação. Para que haja aprendizado é preciso uma experiência significativa, que produza sentido desse momento.

A cada repetição um aprendizado e cada criança absorve o que precisa a cada nova contação, ou leitura.

Cada um vai captar aquilo com que se identifica no momento, de acordo com suas experiências e necessidades pessoais. Então, sua criança demonstrou medo de um livro, ou ficou triste com a história, mas demonstra-se interessado nela, isso é algo precioso, pois significa que aquela história diz algo importante, que precisava de voz e contexto para ser externalizada.

As crianças e os adolescentes estão aprendendo a lidar com seus próprios sentimentos e emoções,e entendendo o mundo à sua volta, uma simples história carrega em si uma imensidão de informações que é processada aos poucos. Ler histórias é um hábito que se cria na primeira infância mas pode e deve perdurar por toda vida dos filhos, não precisa findar-se quando seu filho aprende a ler com autonomia, podem revezar a leitura, as necessidades e conhecimentos que as leituras deleite proporcionam são infinitas.

Portanto, se há um livro eleito como “o preferido”, isso não significa que ele não goste dos outros. Mas que, nesse momento, esse livro especificamente diz algo que ainda está sendo digerido e processado. É um livro-companheiro que vai auxiliar em uma etapa do desenvolvimento.

Quando você lê a mesma história, é como se não fosse “a mesma” história, a cada nova leitura, a criança identifica novas informações, faz novas associações importantes para sua realidade. Além disso, através da repetição, as crianças sentem-se seguros em relação à própria rotina, sobretudo quando se cria o hábito de ler sempre no mesmo horário, seja na escola, pelos professores, ou pelos pais.

É muito importante que os pais se envolvam nesse momento, além de repertório os laços que criamos na intimidade da leitura são eternos.

Então, se na sua família a leitura já faz parte da rotina e todos estão quase decorando a história de um livro, enquanto outros se acumulam na estante, está tudo bem!

Qual é o “preferido” da vez? Conta para a gente! E como vocês vivenciam essa questão em casa?

Além de ler livros nesse momento, nós criamos laços.

Muito mais que repertoriar nossos filhos de um conteúdo adequado para seu desenvolvimento, contar histórias nos aproxima!

Muitas vezes nos perdemos na rotina corrida do dia a dia e deixamos de vivenciar momentos importantes no desenvolvimento de nossos filhos, as relações se estabelecem pela convivência assim como o afeto.

Aproveitem os pequenos momentos!

Renata Natal

É mãe, filha, professora, pedagoga, psicopedagoga, terapeuta floral, ex diretora de escola, ex coordenadora de educação, graduanda em fonoaudiologia.

Um Comentário

  1. Sempre li e leio para filhos, netos, alunos no atendimento e também por estudo e me deliciar com leituras, boas! Gosto às vezes da releitura, também!! Momentos, palavras perdidas, tudo pode ser melhor nas outras vezes!! Parabéns Renata pelo texto!!

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