Opiniões

Habilidades socioemocionais: isso também se aprende na escola

Em tempos de reality, surgem tantas teorias sobre as relações e como elas se constroem, a resposta está no meio, as relações se formam no contexto social, nas experiências culturais, na convivência.

O contexto social vai nos dizer se aprenderemos sobre, curiosidade, autocuidado,  respeito, tolerância, compaixão…e a agora a escola também nos ensinará sobre as relações, e as emoções.

Dizia Paulo Freire em Pedagogia da esperança: “Aprendemos melhor quando vivenciamos, experimentamos, sentimos. Aprendemos quando nos relacionamos, estabelecemos vínculos, laços entre o que estava solto, caótico, disperso, integrando em um novo contexto, dando-lhe significado, encontrando um novo sentido”.

Podemos então dizer que aprendemos com o que sentimos, quando nos relacionamos, quando convivemos, quando somos  afetados.

Por um tempo a escola deixou de lado as emoções, pelo menos os anos escolares finais se preocupou com a razão, as emoções não eram aspectos cognitivos merecedores de atenção, ensinar fórmulas matemáticas, datas históricas e regras ortográficas pareciam mais importantes do que a expressão artística, e emoções.

Infelizmente, ainda hoje, muitos processos de aprendizado estão enraizados nessa estrutura, amparados, principalmente, pelo sistema educacional atual, ao qual o vestibular é o objetivo.

Mas até para se ir bem no vestibular, as emoções precisam estar equilibradas.

Por isso, por sermos seres integrados, cada dia se fala mais em educação holística, os sentimentos fazem parte do nosso comportamento, fazem parte do que somos, e de nossas aprendizagens.

A saúde mental ocupou um lugar especial de discussão e atenção no processo educacional.

Solidariedade, amizade, responsabilidade, colaboração, empatia, organização, ética, cidadania, honestidade, valores (ou características), tão desejáveis nos relacionamentos humanos e cada vez mais requisitados e necessários nos dias de hoje fazem parte do currículo, e já estão sendo ensinados, praticados e estimulados também nas escolas.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) formalizou a educação socioemocional, que envolve o aprendizado e desenvolvimento de habilidades comportamentais para lidar consigo mesmo e com o resto da sociedade.

Essas habilidades incluem empatia, paciência, autoconhecimento, autonomia, resiliência, criatividade, comunicação assertiva, entre outras. Seu intuito é a formação integral do aluno enquanto indivíduo social.

Não faltam evidências científicas da importância das competências socioemocionais não apenas no ambiente escolar, mas ao longo de toda a vida dos indivíduos, com impacto no trabalho, na saúde, na qualidade de vida e no próprio sentimento de felicidade.

Em termos práticos, a educação socioemocional vai auxiliar os estudantes no processo de aprendizagem tornando-os mais engajados e confiantes no potencial que possuem, tem como propósito ao mesmo tempo, reduzir os casos de bullying, melhorar o desempenho cognitivo e diminuir os casos de indisciplina, pelo menos é o que se espera, os dados veremos nos anos vindouros.

Para que todos esses benefícios ocorram, é preciso entender quais são os pilares estruturantes da educação socioemocional. 

  • ·   Emocional: tem relação com o autocontrole e o autoconhecimento;
  • ·   Comportamental: relacionado à perseverança, persistência e responsabilidade;
  • ·   Cognitiva: inclui aspectos ligados, por exemplo, à empatia;
  • ·   Psicossocial: trabalha a questão de resolução de conflitos, comunicação assertiva etc.

Conhecer a estrutura desse novo olhar da educação, é importante, mas as competências socioemocionais para que sejam realmente estimuladas e vividas, ultrapassando os muros das escolas precisa da parceria das famílias, inclusive com as crianças bem pequenas, quanto mais cedo se  têm consciência da importância das habilidades socioemocionais, melhores são os resultados em diversos setores da vida.

Vimos na pandemia a importância do cuidado com a  saúde mental, portanto quanto mais cedo possamos entender, desenvolver e buscar aspectos socioemocionais de amabilidade, comunicação não violenta, escuta ativa nas nossas relações com nossos filhos desde a infância, estaremos trazendo benefícios reais que auxiliam preparo e equilíbrio para a vida adulta.

Meninos e meninas que conhecem e respeitam os próprios sentimentos, que têm empatia pelo outro, que conhecem limites e sabem respeitar as vontades dos outros, tornam-se adultos mais seguros, menos suscetíveis a julgamentos, mais felizes com as próprias escolhas, e capazes de construir uma sociedade mais justa e responsável.

Renata Natal

É mãe, filha, professora, pedagoga, psicopedagoga, terapeuta floral, ex diretora de escola, ex coordenadora de educação, graduanda em fonoaudiologia.

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