Opiniões

“Homem baixinho é muita baixaria”

Inhaim?

E chegou a minha festa preferida: o Dia da Cidade. Adooooooooro festa. Missa, barraca de camelô, show, a cidade ferve. Vou na capela, bato o joelho no chão e depois é só festa. Mas antes tem que ter os preparativos. É que mulher, depois de velha, se não se arrumar fica com cara de traveco. Fui na casa da minha amiga Dadi Costa, dona do salão Assombrason, fazer uma escova no pixaim, arrumar as garras dos “pé” e da “mão” e tirar o parmesão do “carcanhá”.
A roupa já estava comprada. Comprei no Torra Torra de Franca. Um vestido verde limão, um bolero preto e um cinto marrom. A sandália também marrom, com “estresse”, e salto rolha. Botei brinco e meia dúzia de “purseira” dourada. Minha bolsa cor de rosa para levar os documento, óculos de sol e duzentos “real” pra gastar com cachaça e comprar alguma coisa na barraca. Luxo puro.

Fomos de Corcel: eu, Tobiniana e Lolosa. Estacionei longe. Pedi pro meu mecânico, o Zé Ruela Solta, me ensinar a tirar uma peça do carro para ele não funcionar. Eu, hein. Aqui tá cheio de ladrão. Os R$ 54,54 que pago por mês na prestação do carro “pesa”. Guardei a peça na “borsa”. Depois tenho que deixar ela no sol um mês para sai o cheiro do óleo. Com pobre é assim que funciona.
A praça empelotada. Eu, meio “despaletada”, coloquei meus óculos. A Lolosa, de abrigo da Adidas nojenta!, e a Tobiniana de tubinho e salto, igual eu. Nas barracas de camelô, comprei frigideira, um pacote de “carcinha” (quatro por dez real), três brincos por dez real, um batom de três real.

Tomei de tudo: batida, cerveja, caipirinha. A cada cinco passos, um tombo. Eu, Tobi e Lolosa ficamos bem de frente ao palco pra ver o “chôu”. Ainda conheci um homem ajeitado. Dançamos de um tudo e quase travei a “calúnia” O homem foi se achegando pra perto de mim, gritou no meu ouvido e me chamou de linda. Falou que o nome dele era Alan Bida do Rego. Bonitão. Baixinho, mas bonitão. Em pé, ele dava nas minhas tetas. Mas nessa crise de macho que está aí não dá pra escolher muito não. De repente senti um troço estranho na minha boca. Era a ponte do desgraçado! O gancho ficou preso na minha língua e fez um furo. Foi um “sangria”, e o fdp preocupado com a ponte dele. Acabou com a minha noite. Fui embora pro barraco. Deixei as “meninas “ pra trás.
No outro dia, estava com uma afta na boca. Não conseguia nem mastigar. Bem que a minha avó dizia: homem baixinho só serve pra levar recado pra quenga…

Luciene Garcia

É jornalista e criadora da personagem Lulu do Canavial.

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