Opiniões

Imagine…

Imagine que numa noite qualquer, como a de 20 de setembro de 2021, em que muitos moradores da região de Franca estiveram procurando no céu algum sinal, uma nuvem mais escura que fosse, que indicasse que a chuva – prometida pelo serviço de meteorologia para a segunda quinzena do mês – efetivamente fosse cair, para aplacar o calor infernal que não deixa ninguém dormir nesse final de inverno.

Imagine que olhando para a miríade de estrelas do céu você logo esquecesse a chuva tão desejada, ao perceber a aproximação de alguma coisa nunca antes vista, mas que indicasse com certeza absoluta que se tratava de um contato, de uma visita extraterrestre. Não de um disco voador pilotado por homenzinhos verdes, com pés de pato e pescoço fino, com cabeça ovalada e olhos imensos, do tipo daqueles velhos marcianos vistos no século passado, mas nunca comprovados, e, sim, do contato de uma civilização muito mais avançada do que os humanos da Terra. Imagine que indivíduos mal divisados em suas redomas luminosas efetivamente se comunicassem conosco. Não por palavras, sons, sinais, mas por ligação direta, mente a mente. E que a mensagem levada à consciência dissesse que não precisávamos nos preocupar, que não iriam machucar ninguém. E então, pela primeira vez pudéssemos sentir com certeza que não estamos sós no Universo…

Sabemos que nossos corpos não podem viajar até o sistema planetário mais próximo, fora do Sistema Solar, Alpha Centauri, situado a 40,2 trilhões de quilômetros de distância. As naves espaciais mais velozes já construídas viajam a aproximadamente 280 mil km/h. Se elas pudessem ser adaptadas para uma viagem até Alpha Centauri, levariam aproximadamente 16 mil anos para chegar. Logo, se tais extraterrestres chegaram até aqui é porque são diferentes de nós ou conhecem tecnologias que não podemos compreender. Imagine seres vivos como nós, infinitamente evoluídos, e que se interessem por nós! Imagine “seres de luz” preocupados em se comunicar com humanos! Imagine que poderiam nos ensinar a resolver problemas que nos afligem há milênios! Quais são os principais problemas da humanidade? O que pediríamos a eles, se nos fosse dado fazer pedidos?

Eu, de meu lado, sinceramente não saberia o que pedir. As coisas por aqui andam tão confusas que eu não sei muito bem o que seria bom para as pessoas a longo prazo. Claro que poderia pedir que os visitantes do espaço nos ensinassem um jeito de alimentar a todos e que a fome não fosse mais um problema dos habitantes da Terra. Que nos ensinassem a curar as doenças… Se bem que já sabemos curar a maioria delas, que temos comida de sobra… Talvez que nos ensinassem um jeito de acabar com a violência. Enfim, acho que não precisaria pedir nada material. O que temos parece ser carência de cuidado com as pessoas, com tudo que nos cerca, embora não ignoremos o fato … Parece que estamos perdidos! Talvez seja por aí…

Talvez pedisse que nos ensinassem a dividir, que nos ensinassem a conviver, que nos ensinassem a nos encontrar, que nos ensinassem o caminho a seguir. Mas já não sabemos de tudo isso? Talvez eu perguntasse a eles para que serve a vida, o que estamos fazendo aqui, aonde vamos chegar… Se bem que nesse terreno também já temos vários caminhos indicados por mestres antigos, especulados por filósofos, ensinados por igrejas e doutrinas diversas.
Talvez devêssemos imaginar que se recebermos visita extraterrestre, necessariamente não será de seres parecidos conosco. Poderão ser entes diferentes, distantes das classificações que temos por aqui. Uma coisa é muito importante: devemos rezar (ou torcer para os céticos) para que não se pareçam conosco no tratamento dedicado aos seres considerados inferiores…

Dr. José Borges

Advogado (Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Franca); especialista em Direito Civil e Direito Processual Civil e em Direito Ambiental. Foi Procurador do Estado de São Paulo de 1989 a 2016 e Secretário de Negócios Jurídicos do Município de Franca. É membro da Academia Francana de Letras.

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