Opiniões

Na expectativa do novo que virá

O primeiro domingo do Advento marca também o início de um novo ano litúrgico, em que domingo após domingo a Igreja celebra e revive o mistério de Cristo morto e ressuscitado, dinâmica de salvação sempre presente em todos os acontecimentos da vida de Jesus, desde o seu nascimento para sua gloriosa vinda no fim dos tempos. Este ano o evangelho que se lerá de forma cursiva é o Evangelho segundo Lucas, que apresenta Jesus antes de tudo como um profeta que anuncia a vinda de Deus entre nós na humildade, na fraqueza, na infinita compaixão inspirada por Deus Pai, um Pai com entranha de misericórdia.

No final da história, os três espaços em que vivemos – terra, céu e mar – passarão por um processo de renovação que pode até parecer um retorno ao caos primordial: Contudo, será antes um novo nascimento, uma nova criação em que o cosmos será transfigurado, para se tornar novamente um paraíso Terrestre.

Naquele dia (o dia do Senhor) a humanidade experimentará este drama cósmico, synoché ), viverá uma situação sem saída, uma situação de perplexidade e confusão ( aporía ). Mas essas são as dores do nascimento da nova criação que, em vez de multiplicar o medo, deve colocar-nos em atitude de alegre expectativa de um novo tempo onde começa a desabrochar a confiança e a esperança no Deus conosco que age em nossa vida e conduz a nossa história.

Aqui, portanto, Jesus anuncia esta epifania de Deus no fim da história e dos tempos, um fim que virá repentinamente. Não se trata de um amanhã distante, de um acontecimento que diga respeito à hora em que, por motivos intrínsecos ao universo, terá um fim tal como teve um início. Não será assim, mas será um acontecimento próximo, que pode encontrar-nos em uma situação de vida um tanto alienada que seguramente no surpreenderá. Fiquemos, portanto, em atitude de vigilância e prontidão.

Fonte: Portal Cerco il tuo volto, Enzo Bianchi

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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