Opiniões

O Jornalismo Moderno

Quando comecei a me preocupar com a escolha de uma profissão, ouvi de algumas professoras que devíamos nos interessar por nos informar sobre o que acontecia na cidade, no país, no mundo, se quiséssemos alcançar algum sucesso. Éramos crianças, mas tivemos a sorte de ter professoras que pensavam o ensino como forma de nos preparar para a vida. Foi nessa época que comprei o primeiro exemplar da “Folha de São Paulo”, numa das bancas da cidade. E logo adquiri o hábito de comprar jornais aos domingos. Vez ou outra ia na livraria Martins, no calçadão da Rua Marechal Deodoro, que vendia jornais, livros, revistas, discos, materiais escolares e outros artigos. Ali encontrávamos até jornais de outros estados. Em meados dos anos 1970, havia grande quantidade de jornais circulando no país. Só o grupo Folha, publicava a “Folha da Manhã”, a “Folha da Tarde” e a “Folha da Noite”. Franca contava com o “Comércio da Franca” e com o “Diário da Franca”, como jornais de maior importância.

Era um tempo difícil para o jornalismo no Brasil, que enfrentava a censura da ditadura militar que comandava o País a partir de 1964, mas havia total confiança nas notícias veiculadas pela imprensa profissional. Aliás, os grandes inimigos do jornalismo sempre foram os governos ditatoriais. No Brasil, a imprensa já tivera dificuldades com a ditadura Vargas, que fechou vários jornais entre 1937 e 1945, havendo inclusive expropriado o Estado de São Paulo em 1940. E o mundo conhece os nefastos efeitos do mau uso das informações para a fixação de ideologias que podem conduzir sociedades ao abismo, como ocorreu com a propaganda nazista.

Nos últimos tempos, com a massificação da comunicação individual através da Internet, os órgãos de jornalismo profissionais passaram a sofrer a concorrência de todo tipo de publicação espúria, inclusive de profissionais que se dedicam à propagação de inverdades para atender a interesses pouco éticos. Estes últimos, verdadeiros criminosos, contam com o apoio de políticos inescrupulosos no Brasil atual.

Como afirmou o editor do jornal “O Estado de São Paulo” na edição desse domingo (08.10.2021), ao apresentar aos seus leitores mudanças no formato do periódico: “De uns anos para cá, o jornalismo profissional tem enfrentado uma onda de ataques sistemático como raras vezes visto na história. Por isso mesmo, informação fidedigna nunca foi atividade tão necessária como nestes tempos sombrios. Forças antidemocráticas agem diuturnamente para turvar a noção de realidade e, assim, dificultar a compreensão dos cidadãos sobre os fatos que lhes dizem respeito.”
Por isso, a concessão do prêmio Nobel da Paz desse ano a dois jornalistas – Maria Ressa, das Filipinas, e Dmitri Muratov, da Rússia – é fato de grande relevo, no momento em que o jornalismo passa por um dos seus piores momentos da história.

O prêmio é o reconhecimento de que o trabalho jornalístico profissional continua imprescindível. Mas, para os jornalistas, o trabalho já não é apenas buscar fatos relevantes e checar as fontes antes de publicar mas, em muitos casos é, também, o de desmentir notícias falsas que tentam desestabilizar os meios de comunicação. Daí a relevância da concessão do prêmio Nobel da Paz aqueles jornalistas cujos países de origem não prestigiam a liberdade de expressão. O jornalismo profissional, mais do que nunca, continua imprescindível para todos que se preocupam com a verdade e, com toda certeza, mais uma vez vencerá os seus adversários, verdadeiros inimigos da paz.

Dr. José Borges

Advogado (Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Franca); especialista em Direito Civil e Direito Processual Civil e em Direito Ambiental. Foi Procurador do Estado de São Paulo de 1989 a 2016 e Secretário de Negócios Jurídicos do Município de Franca. É membro da Academia Francana de Letras.

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