Opiniões

Vai a um concerto? Veja o que pode, o que não pode dentro de um teatro!

Por Nazir Bittar

Olá queridos leitores! O que mais ouvi em toda a minha vida, além da tal pergunta “que legal você é maestro, mas você trabalha com o que?”, foram dúvidas de como se portar em um teatro quando se trata de um concerto, ballet, ópera ou musical. Acho que ter dúvidas é normal, mas não podemos deixar que o medo de uma gafe seja maior do que o prazer de estar no teatro, portanto vou usar esse espaço aqui na FF para falarmos sobre esse e outros diversos temas relacionados às artes e suas formas de expressão.

Antigamente ir a um teatro, viajar de avião e ter uma audiência com o juiz eram motivos de roupa chique, perfume discreto e friozinho na barriga. Hoje em dia, infelizmente, tudo se enveredou pelos caminhos da informalidade, onde roupa chique e perfume discreto são lembranças de um tempo de glamour e respeito, que já não voltam mais.

“Polianamente” falando há um lado positivo, pois a popularização das viagens e a quebra da rigidez de conduta dentro de um teatro proporcionaram facilidades aos que querem conhecer outros rincões e abriram as portas dos teatros, para os que querem se aproximar das artes.

Mas vamos falar hoje do teatro. Primeiramente devemos diferenciar “concerto” de “show”. Tudo que é colocado dentro de um teatro acaba absorvendo a atmosfera que este possui e é bobagem querer corromper séculos de tradição. Em outras palavras: um show sertanejo realizado na Expoagro pode ser repetido dentro do Teatro Municipal, mas o público não irá se portar da mesma forma. Pode-se cantar junto com a dupla, pode-se aplaudir e até dar gritinhos histéricos, mas em um teatro ninguém irá fumar, tomar cerveja e xavecar a mocinha ao lado, que graciosamente ensaia passos de “é na sola da bota….” dos nossos queridos Rio Negro e Solimões. O teatro impõe uma conduta e uma postura diferente dos outros locais e isto não é ruim! Portanto, se você vai a um concerto, a um recital, ópera ou ballet, lembre-se:

· Chegue pelo menos 15 minutos antes do horário marcado. Assim você terá tempo para ler o programa ou o libretto. Terá tempo de tomar um café, caso o teatro tenha esta facilidade, e poderá usufruir das belezas que geralmente os teatros oferecem, sejam elas na arquitetura do próprio teatro (como os municipais do Rio e de São Paulo) ou em exposições no saguão.

· Se houver lugar marcado, então que permaneça no seu lugar. Há uma forte tentação em querer ocupar o lugar vazio que está mais a frente. Procure se controlar… o dono do lugar irá chegar atrasado, mas irá chegar…daí fica pior voltar para a sua cadeira com um sorriso amarelo. Após o terceiro sinal, e quando as luzes se apagarem, aí sim, dê um salto triplo mortal para pegar aquele lugar tão cobiçado. Mas lembre-se! Tumulto antes do início do concerto também é de péssimo tom! Se não houver lugar marcado, respeite os lugares “reservados”, eles foram assim sinalizados por um motivo sério.

· Durante o concerto desligue o celular. Ou deixe-o no silencioso DENTRO da bolsa ou do bolso. O barulho do celular incomoda, mas a luzinha azul dele também! Não use o celular como lanterna para ler o programa. Você teve tempo de sobra para ver tudo que tinha que ser visto nos 15 minutos de antecedência, se a curiosidade for algo insuportável então espere os aplausos para fazer uma leitura dinâmica.

· Não coma. Não mastigue. Nunca abra uma bala. Nunca abra um saquinho de qualquer coisa. A não ser que seja o antídoto do veneno da aranha viúva negra que acabou de te picar. Barulho de saquinhos plásticos sendo abertos, papéis sendo amassados e o “croc croc” do amendoim, fandangos, batata ou pipoca é de enlouquecer até a Madre Tereza de Calcutá.

· Não converse. Deixe pra falar na hora dos aplausos. Daí você abre as comportas dos comentários e em alguns segundos despeje tudo o que você quis dizer durante a performance ou aprenda libras! Ótima oportunidade de ampliar seus conhecimentos!

· Tossir entre os movimentos de uma sinfonia é um vício! Não é porque todo mundo faz que você tem que fazer igual. Isto é uma idiotice que se estabeleceu nos teatros do mundo como se fosse “vou tossir agora para não tossir durante”… esqueça, se você tiver uma crise de tosse, nem todo o xarope de mel com agrião irá te salvar…daí só saindo do recinto mesmo.

· Aplauda!!! Se não gostou, aplauda menos, mas aplauda… se gostou, então deixe de lado a pomada de cânfora e aplauda muiiiiiiiiiiito!

· Se dormir, não ronque.

Nazir Bittar

É Doutor em música pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Mestre em Musicologia Etnológica pela Universität zu Köln - Colônia / Alemanha, e Bacharel em música também pela Unicamp. Maestro da Orquestra Sinfônica de Franca, Orquestra Jovem de Franca e do Ensemble Vocal OSF. Atua como diretor cênico e artístico de óperas e musicais.

3 Comentários

  1. Ao erguer firmemente a batuta, senti o seu descer em melodias encantadoras de ensino de bons modos.
    A beleza da arquitetura dos teatros curvou-se à partitura que o esquecido das periferias não conhece, para o acolher em cada uma de suas delicadas notas.
    Bravo, Maestro Nazir Bittar!
    A FF o saúda. Bem-vindo.
    Théo Maia, Joelma e todos os nossos colaboradores.

  2. Que delícia de texto. Rindo e ao mesmo tempo imaginando todas as cenas descritas pelo Maestro Nazir Bittar. BRAVO!!!!!

  3. Meu amigo, eu vi você na minha frente agora me dando todas essas orientações, me detalhando todos os bastidores. Sua explanação ficou perfeita e não deixou o seu humor de lado. AMOOO. BJSS.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Artigos relacionados

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo