Opiniões

Vamos construir um Brasil melhor?

Meados de 2022, quase 6 meses após publicar o texto abaixo, com algumas modificações, faço questão de fazer essa releitura, especialmente nesse momento de despedida, em que precisarei me ausentar desse Jornal tão especial por um período, esperando retornar breve com ainda mais novidades e disposição.

Em meados de 2021, por ocasião das comemorações do 7 de setembro, foi divulgada uma pesquisa que afirmava que a maioria dizia “ter mais vergonha do que orgulho de ser brasileiro”¹, vergonha que, na verdade, está muito atrelada ao momento atual que o Brasil atravessa, seja no campo esportivo, social, econômico, mas, muito em especial, em relação ao campo político-governamental.

Por certo que o orgulho do brasileiro sempre guardou relação com os ídolos do esporte e as belezas naturais do povo e dessa terra tão abençoada, afinal, sempre foi motivo de orgulho de todo cidadão brasileiro vestir uma camisa verde e amarela e sair pelo Mundo causando inveja em todos aqueles que tinham que assistir do outro lado da torcida nomes como Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho. Ah! Quanto orgulho de ser brasileiro!

Eram muitos os motivos que nos faziam encher o peito e dizer, para todo o Mundo ouvir, “eu sou brasileiro”, incluindo o fato de sermos o único no Mundo a termos: a maior floresta urbana; a maior floresta, a Amazônia; sermos um dos maiores produtores de petróleo; termos o povo mais acolhedor; as mulheres mais bonitas; a maior costa marítima; sermos o povo mais criativo; as maiores belezas naturais; a cidade maravilhosa; o Carnaval; as praias mais bonitas; e, além de tudo isso, por tantas bênçãos, termos a absoluta certeza de que Deus é brasileiro.

No entanto, há alguns anos que o brasileiro perdeu todo esse orgulho e prazer de ser quem realmente é. Muitos creditam tal fato a perda de qualidade da seleção brasileira, principalmente após a derrota para a Alemanha por 7 x 1, na semifinal da Copa do Mundo de 2014, que foi, certamente, um balde de água fria na confiança do povo tão aficionado pelo futebol, outros colocam a culpa em tantas mazelas políticas que assolam o País nos últimos anos.

Fato é que, embora o futebol seja, de fato, um fator muito impactante da relação do brasileiro com o verde e amarelo, com as manifestações de rua, pós processo do Mensalão e Lava-Jato, contrários as cores do partido que estava no poder, o vermelho do PT, inflados pelo Impeachment da ex-Presidente Dilma, o brasileiro de certa forma perdeu a essência daquele orgulho enraizado em anos, deixando-se de se reconhecer como um cidadão verde e amarelo.

Os últimos anos foram de total desestímulo ao patriotismo, muito ao contrário do que se parece, sem contar o fato de que o povo brasileiro, em verdade, sucumbe a própria sorte, pela inflação, que consome grande parte do ganho familiar, pela fome que ainda assola milhares de brasileiros, pelas altas taxas de desempregados e analfabetos, que deixam uma ferida muito feia numa nação que vive com os olhos no futuro.

O Brasil é, como na letra do seu hino nacional, verdadeiro “gigante pela própria Natureza”, “belo, forte, impávido colosso”, cujo futuro, certamente, espelha a bandeira de que podemos certamente sonhar com algo melhor e, para isso, precisamos arregaçar as mangas e fazermos escolhas conscientes, sabendo que os impactos dessas serão as consequências que teremos que arcar, principalmente, o que iremos deixar para nossos filhos e netos.

As riquezas e possibilidades desse País tão maravilhoso e de dimensões continentais não abarca mais situações e decisões individualistas, que tanto atraso e tragédias produzem, haja vista o cenário atual da saúde, da educação, da habitação e, especialmente, a inflação e a fome que, como já dito, voltou a assolar tantas famílias, decisões impensadas e inconsequentes que nos colocaram de volta no mapa da fome mundial, sem contar o aumento desmedido e extremamente preocupante da violência, bandeira que se prometeu falaciosamente combater.

É por todo esse cenário, por tudo o que somos enquanto povo e nação, por tanta perspectiva de horizonte que nos cabe repensar nossas decisões e escolhas, a certeza de que o Brasil é verdadeiramente do seu povo, pelo orgulho máximo de ser brasileiro, que ainda existe lá no fundo de cada um de nós, desse povo heroico, acolhedor e tão amistoso, por toda a grandeza pessoal, social e natural que nos cerca, é que precisamos refletir e olharmos adiante com o coração pulsante e a esperança de que podemos construir dias melhores.

Prof. Dr. Amilton Augusto, especialista em Direito Eleitoral

Fonte: spdiario

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